Atualmente, não sabemos se uma determinada dose oral de psilocibina produzirá a mesma curva farmacocinética em uma pessoa submetida à cirurgia bariátrica que em uma pessoa com anatomia gastrointestinal preservada.
A psilocibina é uma pró-droga, rapidamente convertida em psilocina, sua principal forma psicoativa. Após administração oral em indivíduos não bariátricos, a concentração plasmática máxima de psilocina (Cmax) é dependente da dose, e o tempo para atingir essa concentração máxima (Tmax) situa-se geralmente em torno de 2 horas, com valores aproximadamente entre 1 e 4 horas nos estudos humanos.
A cirurgia bariátrica pode modificar justamente os fatores envolvidos nesse processo: volume e pH gástricos, esvaziamento gástrico, trânsito intestinal, superfície disponível para absorção e metabolismo de primeira passagem.
A repercussão depende também da técnica cirúrgica. Na gastrectomia vertical (sleeve), não há desvio do intestino delgado, embora o funcionamento gastrointestinal seja alterado. Já no bypass gástrico em Y de Roux, segmentos proximais do trato gastrointestinal são desviados, podendo produzir alterações farmacocinéticas mais importantes.
Isso não significa necessariamente “absorver menos”. Após bariátrica, diferentes medicamentos podem apresentar absorção mais rápida, mais lenta, aumentada, reduzida ou pouco alterada. Para a psilocibina especificamente, ainda faltam estudos farmacocinéticos em pacientes bariátricos.
Portanto, não existe atualmente base científica para simplesmente aumentar ou diminuir a dose de psilocibina por a pessoa ser bariátrica.
Na triagem, devem ser considerados: tipo de cirurgia bariátrica, tempo transcorrido desde a cirurgia, complicações ou alterações gastrointestinais, estado nutricional e medicamentos em uso.
A conclusão mais correta hoje é: em pacientes bariátricos, a farmacocinética oral da psilocibina deve ser considerada potencialmente modificada e menos previsível, mas ainda não sabemos em que magnitude ou direção.
(Fonte: IMS – Instituto do Micélio Sagrado)